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Revista Luz & Cena
Neste espaço, Enrico De Paoli fala de suas experiências e histórias em engenharia de música, estúdios e shows.
Fala também do mercado musical e fonográfico e de suas tecnologias.
2 + 2 = bem mais do que 4
Postado por Enrico De Paoli em 01/10/2011 - 12h16
Costumo dizer que os equipamentos não valem o que custam. Bem, não é exatamente assim... Digo, por exemplo, que as diferenças entre um Pro Tools LE e um Pro Tools HD não correspondem à diferença entre os preços deles, ao passo que a diferença entre o preço de um pré-amp de microfone Behringer e de um Neve não equivale à diferença entre o som de cada um.

Sim, os equipamentos melhores são melhores, mas talvez não tão melhores assim. Se há casos em que as diferenças são até imperceptíveis, há ainda aqueles em que o equipamento mais caro pode simplesmente não agradar. Lembre-se sempre de que estamos lidando com música - um mix de ciência exata e inexata. Por isso, em alguns outros casos, um equipamento menos sofisticado pode gerar um timbre com mais personalidade, agradando em cheio ao usuário.

Bom, sendo assim, para que comprar equipamentos mais caros? Vamos por partes. Em primeiro lugar, devemos adquirir o que faz bem aos nossos ouvidos. Ponto final. Porém, aqui vai o ponto chave: assim como um canal "solado" em uma mix não mostra o que ele representa quando tocado junto com os outros instrumentos, em um arsenal de equipamentos a grande diferença está na soma das pequenas diferenças e em como um item interage com os outros. Vou citar um exemplo.

Outro dia, em um estúdio, conheci a nova SSL Matrix. A famosa fábrica das mesas milionárias inteligentemente se adaptou aos novos mercados e agora está fabricando mesas menores, para produtores e engenheiros independentes, home studios e estúdios particulares de alta classe. Então, no estúdio onde eu me encontrava, abrimos uma sessão e ouvi mesma somada no Pro Tools e na mesa. Não acreditei na diferença: praticamente nenhuma! Mas como assim? Não é possível!

Fiz vários testes comparativos, vários A/B, e, novamente, considerando o valor investido (e a beleza que eu via à minha frente), achei minúscula (ou nula) a diferença. Não me contentei e conferi vários outros testes online para tentar entender o ocorrido, o que aconteceu quando recentemente fui aos EUA abrir umas mixagens de um disco que mixei em uma mesa SSL analógica (falarei disso no próximo mês).

A diferença no resultado final do disco foi imensa. Mas peraí? As duas eram SSL analógicas, com teoricamente o mesmo sistema de soma e circuito analógico. Pois é... A diferença nem sempre está em uma "mudancinha", mas na soma delas.

Fazendo uma analogia, quando equalizamos um track ou uma master, se aumentamos 0.2 dB em 3k15 Hz ouvimos pouca ou nenhuma diferença. Bem, claro que ouvimos, mas, convenhamos: não estou falando de 5 decibéis. Já se aumentamos 0.2 dB em 3k15 Hz e diminuímos 0.2 dB em 1k6 Hz, a diferença entre essas regiões vizinhas passa a ser bem maior aos nossos ouvidos. Eles não só estão ouvindo mais 3k15, como também estão ouvindo menos ainda da frequência vizinha (1k6 Hz), que nosso cérebro tinha como referência para julgar o 3k15. Esse é o ponto!

Então, se seguimos com nossa "equalização-mais-do-que-sutil" em algumas frequências, quando finalmente desligamos o equalizador para comparar com o que tínhamos antes, a diferença é um mundo. Bem mais do que 0.2 dB.

Nem sempre 2 + 2 = 4, entenderam? Tá dado o recado!

Boas mixes, boas escolhas e bons resultados para todos.

INSERIR O CURRÍCULO ABAIXO
Enrico De Paoli é engenheiro de música. Mixa e masteriza em seu estúdio híbrido analógico-digital Incrível Mundo. Seus créditos mais conhecidos são Ray Charles e Djavan. Site: www.EnricoDePaoli.com
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