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Revista Luz & Cena
Neste espaço falaremos sobre áudio e acústica.
Será uma extensão da coluna publicada todos os meses na revista Áudio Música & Tecnologia. Aqui os leitores podem fazer comentários, tirar dúvidas e fazer sugestões.
Homestudio Reinventado: O Timbre Íntimo e Quente da Geladeira
Postado por Omid Bürgin em 02/04/2013 - 18h09
OMiD Academia de Áudio. Ilustração: Ivan Silva
Comparação de Timbres do Forno e da Geladeira (OMiD Academia de Áudio. Ilustração: Ivan Silva)
Comparação de Timbres do Forno e da Geladeira
Gravou seus exemplos no forno? Observou os efeitos que descrevi no post anterior?

Como ficou? Desligou o forno, né?

Como vimos no post "A Reverberação Penetrante e Fria do Forno", você pode 'preparar' um tom extremamente brilhante, metálico e ressonante. Para sorte dos nossos técnicos iniciantes, uma grande gama de microfones servem para fazer este tipo de microfonação, porque a coloração cristalina de vidro, refletida pelo interior do forno de metal, não é nada sutil! Na Paramount usávamos os Royer 121 ou 122, mas um Shure SM57 pode ser bem mais acessível e criar efeitos parecidos. 

Você vai ficar impressionado com o resultado! O que mais me chamou atenção foi que o som ficou meio metalico, com sonoridade mais fria. O forno é reverberante, frio, vidrado (glassy) e o som resultante é tão estridente, que penetra bem qualquer mixagem. Sendo assim, é especialmente indicado para mixagens emboladas, que precisem deste tratamento para o som da guitarra aparecer.

O timbre é ESPECTACULAR!

Este efeito também funciona sem ser um re-amping: o músico pode tocar ou cantar diretamente para dentro do forno, com a mesma microfonação. Neste caso terá que procurar um banquinho mais baixo ou levantar o forno para alinhar as alturas. Mas não insista muito, a ponto de sacrificar o bem estar do músico para forçar o efeito desejado. 

Sabemos que a questão emocional é um dos ingredientes mais importantes na produção musical. O músico tem que se sentir a vontade e não deve ter nenhum impedimento para se expressar ou qualquer distração. É importante envolver o músico, mostrando como ele/ela vai soar melhor fazendo este tipo de microfonação.

A acústica do forno tem algumas peculiaridades: como o recinto exagera as frequências agudas, mas ao mesmo tempo transmite alguma reverberação, é indicado para gravar alguns instrumentos de sopro, com conteúdo grave à médio, como oboé ou fagote. Isso também depende da boa vontade do seu músico, de querer tocar para um forno.

Outras aplicações interessantes para o forno são: gravar vocais (lead or backing), gaita e alguns instrumentos percussivos, como shaker ou claves. 

Mas você ficou no mínimo curioso em testar os seus outros eletrodomesticos, nao ficou? 

Como novo adepto de re-amping, fiz o mesmo em outras sessões, dessa vez usando a geladeira (que mostrei no primeiro post) e a lava-louça, comuns em casas norte-americanas. Inclusive, nos OMiDstudios, mantemos encostada no corredor uma geladeira dos anos 50, que comprei bem barato por não funcionar mais, somente para este fim.

A geladeira tem uma sonoridade bem quente, intima e focada, bem diferente do forno frio, estridente e reverberante. 

Sendo assim, a geladeira ou o lava-louças, ambos revestidos com plasticos, são muito úteis se você esta procurando um som mais caloroso e intimo: coloque o microfone na mesma posição dentro do eletrodomestico, da mesma maneira que fizemos no forno. As grelhas, se forem revestidas por plastico, podem ficar para criar um som mais difuso e homogêneo, ou podem ser retiradas para ter um som mais reverberante.

Geladeiras ou lava-louças funcionam muito bem para metais, especialmente trompetes, flugelhorn ou trompa. Mas experimente com outras fontes sonoras e crie a sua própria lista de resultados.

O importante é aumentar a variedade de possibilidades, assim você pode diversificar a paleta de cores, como um pintor faz, misturando possibilidades diferentes, antes de começar a pintar o quadro.

Eletrodoméstico:

Forno:

Geladeira ou Lava-Louça

Instrumentos:

guitarra, gaita, vocais, sopros com conteúdo grave à médio, instrumentos percusivos idionfónicos, como shaker ou claves)

vozes, guitarras, metais (trompete, flügelhorn, trompa)

F/X:

frio, metalico, reverberante, penetrante, emfase em agudos

quente, intimo e focada

Microfones:

SM-57, Royer 121/122, AKG414, Sennheiser 421

SM-57, AKG414, Sennheiser 421, Neuman U87

Posicionamento:

no centro do forno, com a capsula do microfone virado para frente (lado aberto).

no centro do forno, com a capsula do microfone virado para frente (lado aberto).


Para mais possibilidades sonoras: Tanto no forno quanto na geladeira (ou lava-louça) experimente afastar a fonte sonora. Isso funciona especialmente bem com os metais. Neste caso o músico tem que mirar a boca do instrumento para o microfone e a distância terá que ser testada. Coloque o forno num lado da sala e vá afastando o músico. A reverberação colorida continua a atuar no microfone, que deve continuar no centro do eletrodoméstico.

Bons experimentos!


Omid Bürgin é compositor, projetista acústico e produtor musical. Fundou a Academia de Áudio (OMiD Academia de Áudio), que oferece cursos de áudio, produção, composição e music business e dispõe de estúdios para gravação, mixagem e masterização. E-mail: omid@omid.com.br, Tel. (11) 2307.0707, Rua Cardeal Arcoverde 928, São Paulo.
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