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Revista Luz & Cena
Neste espaço, Enrico De Paoli fala de suas experiências e histórias em engenharia de música, estúdios e shows.
Fala também do mercado musical e fonográfico e de suas tecnologias.
Automação de compressores
Postado por Enrico de Paoli em 01/04/2011 - 00h00
Às vezes os assuntos aqui são mais musicais. Em outros momentos, mais sobre o mercado musical do mundo. E também falamos de técnicas de engenharia de música, gravação, mixagem e master, assim como PA e áudio de shows. Normalmente tenho como foco, não apenas aqui, mas também quando estou trabalhando, passar por cima de paradigmas que nos algemam de conseguir resultados bacanas. Apresento, a seguir, um exemplo.

Durante uma mixagem, o engenheiro de som pode passar horas em um canal, achando a "regulagem" perfeita para o compressor. Mas o que acontece quando aquela regulagem perfeita não é tão perfeita assim para todos os momentos da música, como quando, por exemplo, a introdução é totalmente diferente do resto da canção ou quando um cantor canta em um registro e intensidade nos versos e nos refrões ele solta a voz como se fosse a última estrofe de sua vida?

Na era das mesas analógicas e dos compressores externos, resolver este problema não era uma questão tão simples e na cara do engenheiro. Mas se o mesmo realmente conhecesse o equipamento, era possível fazer um paralelo da voz em outro canal da console e alimentar o circuito de trigger/side chain do compressor e pilotá-lo por este fader paralelo em automação. Voilà! Você acaba de fazer automação no threshold do seu compressor valvulado com sua mesa analógica. Mas, hoje em dia, nada disso é mais necessário. Se você conta com um bom sistema de mixagem no seu computador, possui à mão todas as ferramentas para fazer uma mixagem bem rapidinho (não me pergunte por que hoje as mixagens demoram muito mais do que antigamente!).

Mixando dentro do computador, você consegue habilitar a automação para qualquer parâmetro de qualquer plug-in. Nesse caso, habilitemos a automação do threshold do compressor da voz. O motivo é simples: se lembrarmos que o threshold é uma linha imaginária e que o compressor entra em ação somente quando o volume da voz a ultrapassa, fica fácil entender que se você ajusta essa linha para uma introdução cujo volume da voz é sutil, quando chega o refrão, o compressor "achata" a dinâmica da voz por completo, destruindo o timbre da mesma. Por outro lado, se o engenheiro ajusta o threshold se baseando no ganho da voz no refrão, quando tocar a introdução com a voz bem baixinha, o compressor não vai nem perceber o áudio passando por ele.

Logo, aquele paradigma do ajuste perfeito, milimétrico, intocável, do compressor, acaba de cair. Não existe ajuste perfeito. Se a música é dinâmica, muitas vezes os settings dos equipamentos também têm que ser.

Boas mixes. Pois, no fim, é só isso o que interessa.

Enrico De Paoli é engenheiro de gravação, mixes e masters. Atualmente divide seu tempo entre o Incrível Mundo (www.EnricoDePaoli.com) e a tour Ária, de Djavan.
Comentários (1)
serginhosimoes
(15/12/2014 às 14h19)
Gostei muito do seu blog, entrei para ver se sanava uma dúvida a respeito dos programas de gravação (daws), pois dizem que não hé diferenças de som entre eles, pelo menos entre os mais conceituados (e sim diferenças nas conversões), e o que importa é o equipamento de capatação de audio, mas outro dia vi um estúdio dizendo ter feito testes e que o protools tem o "som melhor" será verdade? Quanto às mixagens demorarem mais acredito que seja pelas infinitas possibilidades o que acaba causando excesso de "maquiagem" na música.
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