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Revista Luz & Cena
Neste espaço, Enrico De Paoli fala de suas experiências e histórias em engenharia de música, estúdios e shows.
Fala também do mercado musical e fonográfico e de suas tecnologias.
Ergonomia e logística (da mixagem)
Postado por Enrico de Paoli em 01/03/2011 - 00h00
Depois de anos de reinado, os pré-amps de microfones estão perdendo um pouco de espaço para a sedução dos summing mixers. Chamados também de summing boxes, estes equipamentos têm a função de trazer de volta para o mundo dos workstations digitais o mix bus analógico. O que quer dizer isso tudo? Vamos lá.

"Antigamente", as músicas eram gravadas em fitas e mixadas em mesas analógicas. Não existia conversão de áudio para o domínio digital. As ondas sonoras eram captadas por microfones e transformadas (não convertidas) em voltagem, e assim trafegavam pela eletrônica do estúdio todo. Durante uma mixagem, os canais individuais da fita, que chegavam cada um em um canal da mesa ou console de mixagem, eram, então, todos somados em dois canais para se obter um programa estéreo. Esse estágio em que todos os canais da mesa viravam apenas dois canais era (e ainda é) chamado de mix bus.

O tempo passou e o estúdio passou a caber dentro de um laptop. Se o som melhorou ou piorou, será uma eterna discussão. Fato é que a sonoridade mudou. Durante muito tempo comparou-se som de fita com som de ProTools. Chegou-se a achar que se os timbres fossem captados com a sonoridade clássica e gravados dentro de um computador, o resultado seria igual ao obtido nos estúdios antigos. Não deixa de ser verdade. Mas uma nova teoria chegou ao mercado: se enviarmos os tracks de dentro do computador para um mix bus externo, analógico, chegaremos ainda mais perto do resultado clássico do que se o mixer virtual de dentro do computador fizer o trabalho de somar todos aqueles canais em dois (estéreo). Ok. Mas esse não é exatamente o foco desse artigo. Acredito que sejam milhares os fatores que fazem com que os discos hoje tenham uma sonoridade diferente, e um deles é o método. A logística. O formato (físico) de se trabalhar.

Sentar à frente de um console lotado de faders e botões com tudo à mão faz com que a gente trabalhe diferente. Melhor? Impossível dizer que sim, até porque não há dúvidas de que hoje temos muito mais recursos do que antes. Mas ao mesmo tempo em que isso é ótimo, também é um fator de desconcentração. Quando tudo o que temos são faders, eqs, dois reverbs e dois delays, fazemos uma mixagem, não uma cirurgia sônica. Tá certo que ter 20 compressores diferentes na sua pasta de plug-ins é um belo arsenal de ferramentas. Dá pra modelar um track? Claro! Muito! Mas não é isso que faz uma mix. Faz. Mas não faz.

O que faz uma mix é você reger os tracks de forma que um "fale" com o outro. Quando um instrumento está tocando, ele está no lugar e volume certos para que, na hora em que outro entra, o outro "se sinta especial". Como se os instrumentos estivessem em uma mesa batendo papo e um fizesse o outro se sentir mais bonito. Porém, neste momento, quem está no comando disso tudo é você. E se falamos em comando, falamos em ergonomia. Nossas ações mudam de acordo com a posição das ferramentas e os hábitos físicos que elas nos causam. Exemplo disso é quando um instrumentista se acostuma a tocar uma frase musical por estar viciado naquela digitação no instrumento.

Logo, acho sim que a soma analógica pode fazer alguma diferença, mas os hábitos de quem está mixando certamente causam mudanças radicais no resultado final de uma mix. Qual é melhor? Cada um sabe o que é confortável para si.

Enrico De Paoli é engenheiro de mixes e masters. Viveu toda a transição analógico-digital-virtual e seus créditos vão de Ray Charles a Djavan. Mixa e masteriza em seu estúdio, o Incrível Mundo. Site: www.EnricoDePaoli.com
Tags: mixagem
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